jump to navigation

Sardinha enlatada cozida a vapor março 23, 2009

Posted by Daniel Aleixo in Experiências.
Tags: , , , ,
trackback

Cara, fazia tempo que eu não pegava ônibus tão lotado! Pra compensar, foram dois dias consecutivos de ônibus não cheio, mas abarrotado de gente. Não vou narrar as duas viagens porque não vai interessar  a ninguém. Mas vou falar as coisas legais!

Imagine-se viajando sentado em cima do motor do ônibus, de costas para o pára-brisa, com um motorista que só porque o ônibus é vermelho acha que é o Massa numa corrida com o Hamilton em primeiro lugar. Foi mais ou menos assim que aconteceu. E é impressionante como um monte de pensamentos estranhos passam pela sua mente nestes momentos.

Pensei em todas as formas de acidente que aquele ônibus poderia sofrer e em quais delas eu não morreria. Num choque frontal eu tava fudido. O vidro ia entrar nas minhas costas, perfurando meus pulmões e me fazendo morrer afofado em meu próprio sangue. Se algo entrasse pela frente do ônibus (como uma viga de metal, um carro, um avião ou um acelerador de partículas) ia me levar junto pra onde quer que fosse depois. Outra idéia foi o ônibus tombar, virar cambalhota, sei lá. Aí a coisa ficava melhorzinha. Como eu não ia ter onde segurar mesmo, era só me jogar e deixar a vida me levar. Com sorte eu só ia bater a cabeça em alguma peça de ferro, ia ter alguns ossos quebrados, talvez uma ou duas fraturas expostas e uma hemorragia interna. Por fim, pensei numa freada, aquela que vem sem avisar, tipo aquelas que acontecem quando você come muito chocolate no calor. Eu ia ser o único idiota a voar pelo pára-brisa e ir parar lá fora. Pelo menos ia estar menos abafado, o que me leva ao dia seguinte.

O ônibus estava tão lotado quanto o do dia anterior, mas eu consegui me espremer e chegar em ponto menos exposto, por assim dizer. Além disso, vim conversando com uma amiga, o que não me deixou pensar em acidentes.

Mas e o calor? Puta que pariu, tava quente pra caralho! Para piorar a situação, algumas passageiras, que estavam sentadas à janela, fizeram o favor de fechá-las (o que vai me levar a um outro post).

Não demorou muito e o suor do rosto começou a descer pelos braços, tórax, abdômen. Quando as pernas começaram a minar água, a coisa ficou feia. A bermuda, azul clara foi adquirindo um tom cada vez mais escuro. A consciência deste fato foi me deixando inquieto: quem olhasse para a minha bunda podia pensar que eu tinha me mijado.

Aí a situação ficou insustentável. Ônibus cheio, abafado, motorista apostando corrida com um rival imaginário e eu ali, molhado de suor na bunda. Eu tinha que esconder as marcas da vergonha. Mas como, se eu estava em pé? Me posicionei entre o trocador e o primeiro banco da frente do ônibus, de modo que só poderiam ver a minha bunda molhada se a pessoa sentada virasse a cabeça para trás e olhasse para baixo. Ótimo, pensei, estou seguro, afinal porque aquela senhora iria virar a cabeça?

Realmente ela não teria motivos, se o trocador não a tivesse reconhecido. Pelo que pude entender ela era mãe de um amigo de infância dele e, ao ser interpelada pelo humilde proletário, ela não só virou a cabeça, coo sentou de lado, para conversar melhor.

Minha bermuda, neste ponto azul petróleo só na bunda e na parte de trás das pernas, estava descoberta. Estava nervoso e isso só me fez suar mais. A qualquer momento um dos dois iam acabar reparando, fazer um comentário e, certo como dois mais dois são quatro, cairiam na gargalhada, chamando atenção dos passageiros que, curiosos como são, não tardariam a descobrir um cara com uma bermuda de duas cores. Seria a morte social nas viagens de ônibus. Nunca mais poderia entrar em uma lotação sem ouvir alguém sussurando para outra pessoa a lenda do mijado.

Então, como em um momento de epifania, percebi que de nada adiantava me esquentar com aquilo. Todo mundo estava suado e fedendo naquele ônibus. Todos queriam apenas chegar em casa e relaxar depois de um dia de trabalho. O meu nervosismo e a minha ansiedade se dissiparam. Para quê me preocupar com o que os outros pensam? Eu nunca liguei mesmo, porque iria começar a ligar justo quando estava mais exposto?

Estes cinco minutos de tensão me fizeram rir, deixando a minha amiga, que contava animada suas últimas atualizações em seu blog, totalmente sem entender. No que expliquei a ela: “Estou tão suado que parece que me mijei”.Miséria pouca é bobagem

Comentários»

1. pegavida - abril 2, 2009

HUAHUAHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUAHUAHUAHAUHAUA

ri a vidaaa!!!! e, coincidentemente, acabei de atualizar o meu blog com um post sobre ônibus lotados e janelas abertas. aquilo que eu sempre quis postar. dá uma olhada lá!
e dps posta sobre as janelas abertas/fechadas! como um aresposta ao meu post. vai ser engraçado. hahahaha

bjssss

2. Pega Vida - abril 2, 2009

[…] Se quiser ler um post engraçado sobre ônibus lotado, vê esse. […]


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: