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Ronaldinho Gaúcho e sua “melhor” fase no Milan agosto 30, 2009

Posted by Daniel Aleixo in Protestos.
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E aí? Vai ficar só esperando ou vai fazer algo pra mudar de verdade?

Este post será rápido. Ou, se preferirem, curto e grosso.

Ronaldinho Gaúcho tem talento com a bola nos pés. Inegável. Mas ele adquiriu uma soberba sem tamanho, se deixando levar por prêmios de melhor jogador e contratos milionários. Ele se tornou o Sr. Marrento. Isto também é inegável.

Mas as coisas não andam boas para o lado do jogador. Em março deste ano, Carlo Ancelotti, o então técnico do Milan, fez críticas a Ronaldinho, cobrando dele um esforço maior caso quisesse ser titular (algo que não acontecia há mais de um mês, na época). Nas palavras do treinador: “Jogadores como Ronaldinho baseiam todo seu futebol no talento. Treinei muitos jogadores e a maioria acha que faz a diferença só com o talento, mas isso é errado. No futebol moderno, se você não tem uma boa condição física e não trabalha nos treinos, é mais difícil brilhar nos jogos”.

Ancelotti saiu do comando da equipe milanesa e o cenário pareceu mudar. No dia 27 de agosto de 2009, saiu uma matéria no portal de notícias UOL em que o Gaúcho declarava estar vivendo sua melhor fase no Milan, time onde joga desde 2008.

Pois bem, ontem, dia 29 de agosto de 2009, o Milan perdeu o clássico contra a rival Inter de Milão por 4 a 0. Isso mesmo, o Milan tomou de quatro 4. Uma derrota, não seria exagero dizer, humilhante.

Apenas 2 dias depois de uma declaração animada à imprensa, Ronaldinho, titular, é substituído por não ter feito rigorosamente nada para tentar virar a partida. E saiu de campo debaixo de muitas vaias dos torcedores de seu time. Uma bela fase, não?

A questão aqui não é crucificar o cara, desprezar seu passado vitorioso. Minha intenção aqui é mostrar que todos passam por fases boas e ruins. É normal, a vida é assim. O ponto aqui é como você encara seus sucessos e derrotas.

Com humildade você é capaz de manter os pés no chão quando atinge os resultados almejados. Assim, você conquista a admirição das pessoas ao seu redor e este apoio será muito impotante durante uma fase ruim. Claro que nem todos estarão lá por você, mas pode ter certeza que alguém estenderá a mão. O princípio é simples: com os pés no chão não se pisa nos outros.

Ronaldinho Gaúcho perdeu esse componente. A soberba faz com que a pessoa não consiga se auto-avaliar da maneira correta e, em conqüência, não muda o que deveria ser mudado, até porque “é o mundo que tem que mudar e não eu”. Você já deve ter ouvido isso da boca de várias pessoas, né? Gente repassando a terceiros a culpa de seus próprios fracassos. É o que mais tem por aí. E essas pessoas, invariavelmente, acabam sozinhas. Afinal, quem ajudaria aquele que estava no topo e se “achava” (e até humilhava os outros) a se reerguer?

Eu nunca vi ninguém arrogante ir muito longe. Então, Ronaldinho, para o seu próprio bem, e para o do nosso futebol, seria bom que o senhor reavaliasse sua postura diante da vida.

Fontes:

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2009/03/03/ult59u189742.jhtm

http://esporte.uol.com.br/ultimas/efe/2009/08/27/ult1777u111451.jhtm

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/08/29/ult59u201093.jhtm

Cuidado: fantasma pode virar assombração maio 26, 2009

Posted by Daniel Aleixo in Protestos.
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Esse post é, na verdade, um resgate de algo que ocorreu já há algum tempo (acho que ano passado). E serve de dica para quem está trabalhando em Agência de Publicidade.

Nosso meio, todo mundo sabe, mexe com o ego das pessoas. Ainda mais quando há milhões de reais (ou dólares) envolvidos e criações que são vistas por milhares de pessoas. Mas nada é mais capaz de exacerbar essa cultura narcisista do que prêmios.

Não me entenda mal. Prêmios são muito legais! A questão é: será que vale fazer de tudo pra levar um troféu pra casa? Se esse “tudo” significa dar o máximo de si, suar a camisa e conseguir fazer e aprovar com o cliente uma puta campanha, acho que vale tudo sim. Mas se esse “tudo” for, por outro lado, passar por cima das pessoas, seja do cliente e da imagem de sua empresa, seja do público, que pode ser ofendido ou ultrajado com elementos de mau gosto, aí eu acho que não.

Isso nos leva aos fantasmas, que são anúncios não aprovados pelo cliente (porque não gostou, porque estaria fora do orçamento ou simplesmente porque não houve uma apresentação da peça). Esse tipo de anúncio tem por característica o fato de a criação não ter limitações (de briefing, de atendimento/planejamento e de cliente) para executar a peça, abusando da criatividade (para o bem ou para o mal).

A criatividade é, sim, uma faca de dois gumes. Há anúncios fantasmas absolutamente geniais, que você lamenta por nunca terem sido veiculados. Mas há outros que são um show de mau gosto e apelo. Para não arriscar ter surpresas desagradáveis, muitos festivais de publicidade profissionais não estão mais aceitando inscrições de peças fantasmas.

Os brasileiros, espertos que são, arrumaram logo um jeitinho de driblar essa restrição. Como é considerado anúncio fantasma aquele anúncio que jamais foi veiculado, as agências bancam a veiculação das peças, mesmo sem consentimento do cliente, só pra poderem inscrever suas obras mais “criativas”. É claro que, com a internet, muitas vezes nem é preciso gastar dinheiro, basta postar os anúncios em algum site ou blog.

Aí começam os problemas. Se caiu na rede, alguém vai acabar vendo (olha a dica aí, garotas). E o risco de um fantasma tornar-se um viral é grande, visto que os internautas adoram repassar para os amigos coisas engraçadas, inusitadas, toscas, mas acima de tudo, protestos. É impressionante a quantidade de coisas criticadas pelas pessoas na internet e, não raro, os discursos negativos assumem proporções maiores do que os positivos. Olha o risco de sujar a imagem do cliente com uma brincadeira “inocente” ou com aquela puta idéia que daria um prêmio.

Foi o que aconteceu com a Salles Chemistri, agência de São Paulo que na época tinha a conta da Itambé. O pessoal da agência fez uma campanha para o iogurte Fit Light seguindo o título “Esqueça: o gosto dos homens nunca vai mudar”, com um objetivo que desconheço: seria um exercício de criação, uma brincadeirinha interna que caiu sem querer na internet ou uma tentativa de ganhar prêmio? Pessoalmente, acho que está mais para Desencannes do que para um festival sério de publicidade. Uma bela forma de se perder uma conta. Enfim, tire suas próprias conclusões:

Anúncio Itambé Fantasma 1

Anúncio Itambé Fantasma 2

Anúncio Itambé Fantasma 3

Essas peças caíram na internet, gerando comentários indignados, e rapidamente a Itambé botou seu departamento de Relações Públicas para trabalhar e publicou uma justificativa para o incidente. Neste caso, como não poderia deixar de ser, eles jogaram para a agência toda a responsabilidade pelos anúncios, se eximindo de qualquer participação no processo de criação dos mesmos. Vale notar que a estratégia utilizada para disseminar o comunicado foi a dos famosos links patrocinados, totalmente alinhada com a natureza da divulgação das peças: rápida e gerando grande repercursão no meio on-line. Segue o printscreen do comunicado no site oficial da Itambé:

Comunicado Itambé

Moral da história: todo cuidado com os fantasmas porque, se você mexer demais com eles, pode acabar tendo que chamar um exorcista. E neste caso, quem é exorcizado da agência é o criativo.

A nova inquisição: estuprador vai pro céu e médico vai pro inferno março 7, 2009

Posted by Daniel Aleixo in Protestos.
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Eu poderia começar de várias maneiras, mas vou fazer isso pelo fim. Há alguns posts atrás eu critiquei o Lula. Hoje vou elogiá-lo. Elogiar nosso digníssimo presidente por ter feito o primeiro comentário inteligente de sua vida sobre um caso polêmico.

Perguntado sobre a decisão da Igreja Católica de excomungar os médicos responsáveis por fazer um aborto numa menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto, ele disse: “Os médicos estão mais certos do que a Igreja, em salvar a vida dessa menina. Salvar não, porque o trabalho psicológico que deverá ser feito pode demorar décadas até que ela volte a normalidade”.

Uma menina de 9 anos, em Pernambuco, foi estuprada pelo padrasto e engravidou. De gêmeos. A mãe, católica, deu autorização para a operação de retirada dos fetos, sendo atendida por uma equipe de médicos, em sua maioria, católicos. O caso, amparado pela lei brasileira, que diz que uma mulher, vítima de violência sexual ou cuja gravidez ofereça risco de vida para si mesma, tem o direito de fazer o aborto, seria apenas mais um triste caso de violência sexual em casa, não fosse pela declaração do arcebispo de Recife e Olinda.

Este senhor comunicou que a Igreja iria excomungar os médicos e a mãe da menina por terem, respectivamente, feito e autorizado a operação. Como se não bastasse, ainda disse que o estuprador não seria excomungado porque, apesar de ser um criminoso e pecador, havia pecados mais graves, como o aborto. E, óbvio, o estupro não está na lista de pecados que, caso cometidos, levam à excomunhão de seu praticante.

Agora, vamos entender algumas coisas. A Igreja Católica, assim como outras religiões possui regras, dogmas e um código de conduta para seus seguidores. Quando algum deles é quebrado por um fiel, este deve ser punido de alguma forma. Nada mais justo, já que para uma vida em comunidade você deve se submenter a regras, do contrário tudo vira uma bagunça. Portanto, a Igreja agiu certo em punir os fiés envolvidos. Se ela prega algo, deve defender isso.

Os problemas começam com a forma como esse comunicado é feito para o público. Ao invés de explicar que, pelas regras da Igreja, os fiés envolvidos foram punidos, o arcebispo simplesmente colocou as coisas como se todo mundo fosse católico e que aquilo que ele estava dizendo estava de acordo com a constituição. Bom, as coisas não são bem assim.

A Igreja Católica, assim como outras religiões (não todas), acredita que no momento da concepção já há vida. Portanto, o ato de abortar uma gravidez seria igual ao homicídio. Até aí tudo bem, é uma crença religiosa que deve ser respeitada. O problema está em impor uma crença como verdade absoluta. TODOS têm o direito de acreditar no que QUISEREM. E NINGUÉM tem o direito de impor suas crenças aos outros. Como eu disse, você acredita no que quiser.

Para concluir este assunto polêmico: o Estado deve ser laico, o que significa ser totalmente separado de qualquer religião. Isso significa uma constituição que respeita as diferenças e as escolhas religiosas de cada cidadão. Assim, um católico não precisa se submeter à leis baseadas no islamismo ou vice-versa, simplesmente porque as leis não se baseiam nesta ou naquela religião, mas sim em um código que mantém os indivíduos em um estado de ordem, mas dando a eles a liberdade para conduzirem sua vida.

Essa eu tenho que comentar! dezembro 7, 2008

Posted by Daniel Aleixo in Protestos.
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É um absurdo. Ele não se manca! Eu não acho que isto seja questão de ser simples ou vir de família humilde.

Desculpe começar assim tão de repente, mas é que eu fiquei indignado com o último discurso do Lula. Como se não bastasse  essa postura de ignorar a crise, ele ainda me vem com as metáforas mais toscas e, de quebra, ainda mete um palavrão na história? Nada contra palavrões. Eu adoro palavrões! Eles fazem parte do meu vocabulário e não consigo viver sem eles. Mas o Lula é o presidente do Brasil, puta merda! Ele tem que mostrar algum respeito pelo cargo que ocupa, porra!

Mas é claro que muitos defensores do boçal que temos como presidente vão se apressar em dizer que ele não teve instrução, que vem de família humilde, pobre, etc, etc, etc.

Ele teve uma história sofrida sim, mas teve a oprtunidade de se tornar líder sindical e político. E todos nós sabemos que estas não são posições onde se ganha pouco. Lula podia, ao menos, ter usado uma pequena parcela do que ele ganhou para recuperar o tempo perdido, estudar, se formar e, quem sabe fazer uma faculdade. Mas ele escolheu a ignorância. E usa essa ignorância como escudo para quem diz que ele é burro, incapaz e despreparado.

“É culpa do sistema educacional falho que temos em nosso país”, é o que dizem quando criticamos seus episódios “pitorescos”. “Coitado, ele é um vencedor por chegar onde chegou, mesmo não tendo educação”. Lula é um vencedor sim, mas é um acomodado também. 

“Pra que estudar? Olha o que eu já conquistei só tendo a quarta série (agora quinto ano)! Pra quê eu vou esquentar a minha cabeça com esse negócio de escola, faculdade.” Esse podia ser o pensamento dele e, sinceramente, não acho que eu esteja muito longe da verdade.

O problema disso tudo é que os eleitores de Lula das classes média e alta, gente “instruída”, não percebem a gravidade desse tipo de atitude. Não vou falar aqui do (mau) exemplo que ele pode dar às crianças no que diz respeito à relação estudo/sucesso. Isso é argumento velho e ultrapassado: as crianças de hoje não sabem nem quem é Lula. Só querem saber de video game, internet e sacanagem. Mas isso é outra história.

O que eu quero dizer aqui é que me revolta essa incoerência das pessoas, essa hipocrisia. Enquanto o nosso presidente fala um monte de merda, todo mundo ri, acho bonitinho e tal. Mas vai você falar besteira perto de alguém da “alta sociedade”. Te olham torto, dão aquele sorriso de desprezo e tratam de sair de perto. Hipocrisia.

Outra situação: você está andando na rua e vem uma pessoa te pedindo dinheiro pra qualquer coisa (remédio, leite pro filho, comida). O que muita gente faz? Ignora e sai pensando (ou comentando com o seu acompanhante): “Se tivesse pedido comida eu até pagava um PF pra ele, mas ele quer dinheiro pra encher a cara, pra usar droga. Esse povo é acomodado. Se acostumou a pedir, não procura um trabalho, não estuda. É mais fácil pedir dinheiro na rua. Por isso que eu não dou mesmo.” Esse discurso da acomodação naturalmente não vale para o nosso querido presidente. Ele é um vencedor!

A minha opinião é que o Lula é igual aos mendigos que pedem dinheiro por comodidade. Esses mendigos preferem ficar na rua do que ir para um abrigo, estudar e conseguir um emprego. Analogamente, o Lula prefere vestir a camisa de ter só até a quarta série do ensino fundamental, usando isso para formar sua imagem de pessoa sofrida, lutadora. “Olha onde cheguei”. Além de despertar uma certa pena das classes mais altas, como eu já falei aqui.

Enfim, este último discurso de Lula só me revoltou ainda mais. Não pela ignorância, mas por ele ter tido a oportunidade de estudar que muitos passam a vida apenas sonhando e tê-la jogado fora. Não devemos ter pena de alguém que teve a oportunidade de mudar e não quis.